
Entre os temas discutidos na NAB Show 2025, nenhum teve impacto potencial tão direto para o Brasil quanto a convergência entre o padrão NextGen TV (ATSC 3.0) e a adoção global do codec VVC (Versatile Video Coding). E o Brasil, surpreendentemente, está no centro dessa história — não como observador, mas como protagonista.
O Brasil está em processo de transição para o TV 3.0, o novo padrão de televisão digital terrestre que irá substituir progressivamente o ISDB-Tb adotado em 2007. O DTV+ — denominação oficial do sistema brasileiro — é baseado na tecnologia do ATSC 3.0, o mesmo padrão NextGen TV que está sendo implantado nos EUA.
O decreto presidencial formalizando o TV 3.0/DTV+ foi assinado em agosto de 2025 — mas as discussões técnicas fundamentais que embasaram essa decisão aconteceram exatamente nos corredores da NAB 2025, com participação ativa do Fórum SBTVD, que representa os interesses do mercado broadcast brasileiro no cenário internacional.
Não é coincidência: o Brasil foi a terceira maior delegação na NAB Show 2025, atrás apenas de EUA e Canadá — sinal claro de que o mercado brasileiro acompanha de perto as decisões tecnológicas que vão definir o futuro da TV aberta no país.
Uma das definições técnicas mais importantes do TV 3.0 brasileiro foi a adoção do VVC (Versatile Video Coding), também chamado de H.266, como codec de vídeo principal para a transmissão terrestre do DTV+.
O VVC oferece aproximadamente 50% mais eficiência de compressão que o HEVC (H.265) para a mesma qualidade perceptual. Na prática, isso significa:
Na NAB 2025, o paper técnico “VVC Broadcast Deployment Update” — coautorado pela Nokia e Ericsson — foi apresentado na conferência de engenharia (BEIT), consolidando o consenso técnico em torno do VVC para broadcast terrestre.
Uma dúvida comum no mercado é sobre o papel do AV1 — codec de código aberto da Alliance for Open Media, sem royalties — nesse cenário. A NAB 2025 ajudou a clarificar bem a divisão de papéis:
Para o TV 3.0 brasileiro, que depende de aparelhos receptores com decodificação em hardware, o VVC é a escolha técnica correta. Para distribuição OTT e streaming pela internet, o AV1 continua crescendo.
A sessão “NextGen TV and TV 3.0: A Global Conversation on the Future of Broadcasting” destacou a transição brasileira como um dos casos mais relevantes de adoção de NextGen TV fora dos EUA. A empresa Triveni Digital apresentou soluções de bridging entre ISDB-Tb e TV 3.0 especificamente voltadas para o mercado brasileiro.
O fato de o Brasil chegar à NAB 2025 com uma direção técnica clara sobre VVC e ATSC 3.0 foi amplamente reconhecido como sinal de maturidade do mercado broadcast nacional.
A transição para o TV 3.0 não é imediata — haverá um período de coexistência entre ISDB-Tb e DTV+. Mas as decisões de investimento em infraestrutura feitas hoje precisam considerar a compatibilidade com o novo padrão:
A NAB 2025 sinalizou com clareza: o futuro da televisão aberta no Brasil já tem nome, tem codec e tem prazo. A pergunta agora é quais emissoras estarão preparadas para liderar essa transição.
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