Por muitos anos, a sala de master control foi o coração físico de uma emissora: racks de servidores, monitores de forma de onda, patch panels, operadores presentes 24 horas por dia. A NAB Show 2025 consolidou o que já vinha sendo desenhado desde a pandemia — esse modelo está sendo substituído, e a velocidade da mudança surpreendeu até os mais céticos do mercado.
A Harmonic foi um dos destaques do setor de playout, apresentando inovações para sua solução integrada disponível em três modalidades: VOS 360 Media SaaS (cloud pura), VOS Media Software (software on-premises) e XOS Advanced Media Processor (hardware dedicado).
Dois recursos novos chamaram atenção:
Encoding, branding, playout e entrega, tudo em uma solução integrada gerenciada em nuvem — sem necessidade de múltiplos sistemas de fornecedores diferentes.
A BCNexxt lançou a plataforma Vipe, construída sobre microsserviços em contêineres com escalabilidade dinâmica de recursos. Isso significa que os recursos de processamento crescem automaticamente sob demanda, sem provisionamento manual. O Vipe RT é voltado especificamente para os desafios únicos de transmissões esportivas ao vivo e eventos de grande audiência, onde os picos de processamento são imprevisíveis.
A Telestream lançou o Lightspeed Live Server, servidor de playout para produção ao vivo com suporte a SDI (3G/12G) e SMPTE ST 2110 (10/25G), entregando até 8 canais HD ou 4 canais UHD em apenas 1 rack unit. Além da compactação de hardware, o Lightspeed integra geração automática de legendas, subtítulos e metadados via IA.
A Florical Systems demonstrou seu software de automação de master control agora pronto para deploy em cloud pública — com foco em emissoras com múltiplos sites regionais em diferentes fusos horários. O cenário de emissora com afiliadas em fusos distintos, cada uma com programação personalizada, operadas a partir de um único centro de controle remoto em nuvem, passou de projeto-piloto para produto disponível.
Uma conclusão importante da NAB 2025: a transição para cloud não é “tudo ou nada”. O modelo híbrido — parte da operação em equipamentos locais, parte em nuvem, com escalonamento automático para picos de audiência — é o que domina nas implementações reais do mercado.
Emissoras que investiram recentemente em hardware SDI não precisam descartá-lo de imediato. A cloud entra como camada adicional para workloads de pico, distribuição OTT e redundância — enquanto o hardware local gerencia a transmissão principal com a confiabilidade já conhecida.
Para os operadores de master control, a mudança é profunda:
A pergunta que a NAB 2025 respondeu definitivamente não foi “o playout vai para a nuvem?”, mas sim “em quanto tempo?”. A resposta, pelos ritmos demonstrados no evento, é: mais rápido do que a maioria das emissoras brasileiras está se preparando.
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